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Postado em 03 de Maio de 2019 às 09h18

Como está a biosseguridade em sua granja?

Suinocultura (26)

A biosseguridade suína é um assunto que está em alta. Fundamental na preservação da saúde animal, é composta por um conjunto de procedimentos que visam diminuir a entrada de agentes causadores de doenças dentro das granjas, reduzindo o impacto causado por elas. As medidas podem garantir não somente a saúde dos animais, mas também assegurar a qualidade da carne que chega à mesa do consumidor.

Biosseguridade interna x biosseguridade externa. Você sabe a diferença?
Os produtores precisam ficar atentos aos dois tipos de biosseguridade, a interna e a externa. Na primeira, a médica veterinária e especialista em Doenças Respiratórias, Maria Nazaré Lisboa, explica que “o objetivo é evitar que patógenos causadores de doenças se disseminem dentro da granja.” Para isso, é extremamente importante que sejam adotadas estratégias para evitar contaminação na parte interior da granja. Entre as mais importantes estão medidas de higiene para pessoas e animais, pois elas podem evitar contaminação e propagação de agentes causadores de doenças.
O médico veterinário e especialista em Sanidade de Aves e Suínos, André Buzato, comenta que ter um programa de limpeza e desinfecção das instalações, um adequado fluxo de produção (vazio sanitário entre lotes), programa de vacinação, além do controle de pragas e manejo apropriado de resíduos altamente infectantes também são itens fundamentais para manter a biosseguridade em dia.
Já relacionado com os fatores externos e como medida preventiva, Buzato indica fazer uso prudente dos quarentenários, além de cercas e avisos, controlando a entrada de visitantes. Também é importante restringir e controlar animais domésticos e veículos. A granja deve oferecer ainda, locais apropriados para banho e troca de roupas/calçados, pois bloqueiam a entrada de agentes patógenos.

Fiscalização
Apesar de não existir nenhum documento oficial dos órgãos de fiscalização, como do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) em relação a biosseguridade das granjas suínas, ela é o principal fator levado em consideração pelos compradores internacionais que importam carnes brasileiras.
Para que esses procedimentos se popularizem entre produtores rurais, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Suínos e Aves (Embrapa), em Concórdia/SC, criaram uma espécie de manual de biosseguridade para as granjas de suínos. Nelson Morés, um dos pesquisadores da Embrapa comenta que “a adoção de medidas de biosseguridade no setor produtivo comercial (granjas ciclo completo, unidades produtoras de leitões, crechários e terminadores) é fundamental para mitigar riscos de contaminação e disseminação de agentes patogênicos”. O documento foi elaborado com base em uma pesquisa realizada com diversos agricultores dos maiores estados produtores de carne suína do país, que indicou que mais de 50% do total das granjas não adotam as medidas de biosseguridade.
A situação indicou a necessidade da elaboração e disseminação de algumas orientações, com o objetivo de fornecer mais subsídios técnicos para que sejam adotadas todas as medidas de biosseguridade consideradas relevantes para a proteção dos animais e para o futuro da cadeia produtiva de suínos. Essas medidas, de acordo com Morés certamente, terão maior chance de serem adotadas sistematicamente no setor produtivo se forem regulamentadas pelo MAPA.
Sobre a fiscalização, o veterinário André Buzato afirma que “os suinocultores precisam de condições, incentivos e apoio para continuarem investindo na atividade e poderem se adaptar às novas exigências, como por exemplo, a biosseguridade”.
Com um trabalho de equipe desde o sistema de produção ao produto acabado e com todos envolvidos na mesma causa, seria possível trabalhar com uma fiscalização mais eficiente, em cadeia. Maria Nazaré Lisboa finaliza “com certeza ainda existe muito a fazer, mas estamos no caminho”.

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