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Postado em 29 de Abril às 17h32

Novos caminhos do agronegócio, por Charlie Conner

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Por Charlie Conner, CEO da Sotran Logística*

 Ao longo da última década, o agronegócio no Brasil tem se expandido consideravelmente, gerando novas oportunidades de comércio a nível mundial. Este ano não será diferente. A safra de soja, por exemplo, tem uma expectativa de crescimento em que espera-se atingir 135.1 milhões de toneladas, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Por outro lado, o ano de 2021 tem um outro problema, além da pandemia, que é o atraso da colheita.

Na maioria das regiões do país, a colheita da soja atrasou, se comparada a outros anos. Além disso, temos índices altos de comercialização e preços em reais altos, criando pressão para escoar rapidamente. Portanto, temos filas grandes de navios nos portos, esperando para carregar e mandar produto para seus países de destino. Para complicar a situação, o atraso da janela de soja traz uma concorrência, entre soja e açúcar, pela logística, criando uma situação complexa para empresas do segmento. A competitividade do país no cenário internacional permanece inalterada - lembrando que, no ano passado, as exportações bateram um recorde de 81 milhões de toneladas. A estimativa é que, em 2021, sejam 86 milhões e, embora um dos grandes destaques do setor seja a soja, não se pode esquecer que milho, açúcar, arroz, entre outros, são commodities muito valorizadas na economia global e que também abrem janelas de oportunidades para a logística.

O cenário não deve mudar muito nas próximas semanas. Muita concorrência para carregar, com fretes elevados e um foco em escoar com eficiência. Em paralelo, o aumento do preço dos insumos para os caminhoneiros ao longo do tempo deveria apertar as margens deles.

Com tanta demanda, abrir o caminho digital para a logística do agronegócio é mais que inevitável. Quanto maior for o estresse no ecossistema de logística, o mais importante continua sendo que o embarcador tenha visibilidade e rastreabilidade do seu caminhão. Quanto maior for a pressão de custo de insumos dos caminheiros, mais importante será trazer benefícios concretos que ajudem os caminhoneiros a rodar mais e com menos custo gasto em meio de pagamentos ilícitos, como a carta frete, que, infelizmente ainda é adotada por alguns na estrada, ou cartões com taxas altas que reduzem a renda do caminhoneiro. A pressão pela eficiência também traz uma necessidade de embarcadores e transportadoras utilizarem mais tecnologia nos processos para automatizar alguns fluxos e reduzir processos burocráticos. Do lado do governo, este cenário reforça a necessidade de uma fiscalização cada vez maior das leis que protegem os interesses dos caminhoneiros, como por exemplo, a “CIOT para todos”, que ainda não entrou em vigor, mas garantirá que o frete seja pago via meios de pagamento homologados, eliminando o uso da carta frete. A resolução foi regulamentada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), através da Resolução Nº 5.862, de 17 de dezembro de 2019. A nova regra torna obrigatório gerar o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para todas as prestações de serviço do transporte rodoviário de cargas. Além disso, reforça a necessidade de ajudar a modernizar o setor com projetos como o Documento Eletrônico de Transporte (DT-e) - um projeto para unificar os documentos de frete, disponibilizando todos digitalmente e reduzindo muito o custo e tempo gasto com burocracias nas estradas.

O Brasil tem uma competitividade única no campo que ainda se perde nas estradas. Um foco contínuo na digitalização da cadeia pode trazer benefícios para embarcadores, produtores e para o país como um todo, principalmente, para os mais de 500 mil caminhoneiros que atuam no setor de agronegócio e são extremamente importantes para a sociedade.


* Charlie Conner é CEO da Sotran, logtech líder do setor de transporte rodoviário de cargas para o agro e criadora do Tmov, o maior marketplace de agronegócio do Brasil. O executivo foi co-fundador e co-head da operação da Arlon Group, fundo de private equity norte-americano, no Brasil. Conner possui MBA, CFA e um Fulbright Fellow em economia.

 

Imagem: Fecap

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