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Postado em 10 de Setembro às 21h41

Pulse no prato

Grãos (59)

O feijão é o pulse mais consumido no Brasil. Os estados do Paraná e Mato Grosso lideram a produção. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe)

O típico prato brasileiro, arroz e feijão, é composto por um pulse. O nome não é popular, mas vem do latim puls, que significa "sopa grossa". De fato os pulses - feijões, lentilhas, grão de bico e ervilha- são utilizados no preparo de alimentos caudalosos, o que deve ter contribuído para a denominação. No Brasil, o mercado de destaque é para o feijão. Segundo o Ibrafe em 2019, o Brasil atingiu o maior volume de exportação de feijão da história: embarcou mais de 165 mil toneladas do produto e faturou US$ 111 milhões. O feijão brasileiro chegou a mais de 80 países do mundo. As variedades mais exportáveis são: Feijão Caupi e Feijão Mungo Verde. Outro mercado que o Brasil segue de olho é a China, que deve ampliar a exportação para outros tipos de feijão, além dos que já são exportados. Os negócios refletem o desenvolvimento de novas cultivares. Em 2010, o Brasil possuía duas variedades de feijão para exportação, número que se multiplicou para dez, mas que, futuramente, pode chegar a 15 variedades.

O gerente comercial de mercado internacional da Coperaguas, empresa brasileira líder na exportação de pulses, Julio Mariucci, diz que o Brasil tem a expertise para oferecer feijões com muita qualidade. " O produtor brasileiro tem evoluído constantemente, exportando para todos os continentes, o que contribui para os pulses aumentarem a sua importância no agronegócio do país". Outro fator positivo é que utilizam uma quantidade de água menor do que alguns, o que contribui para a preservação dos recursos ambientais. Além disso, ajuda a fixar nitrogênio no solo. Mariucci ainda ressalta: “Pulses podem ser considerados ‘’alimentos do bem’’, pois eles contribuem para a redução do efeito estufa, fixam nitrogênio no solo e o seu consumo como alimento traz vários benefícios à saúde”.

O presidente do Ibrafe e da Pulse Brasil, Marcelo Lüders afirma que os pesquisadores estão desenvolvendo ervilhas, lentilhas e grãos-de-bico adaptados às condições climáticas do país para possibilitar o cultivo interno. O feijão desenvolve-se dentro das características de clima no país que tem Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso como estados produtores e é um alimento barato. "Cada quilo equivale a cerca de 14 refeições", explica. O consumo que precisa ser diversificado.

Mercados em expansão

O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) fez uma pesquisa em 2019 que indicou que em seis anos, o número de pessoas que se declaram vegetarianas quase dobrou no Brasil. São cerca de 30 milhões de pessoas, quase 15% da população que não come carne e, por sua vez, investe em alimentos para substituir a proteína. " Esse público é um consumidor potencial de pulses porque se identificam com essa alimentação saudável", reitera Luders, que considera o feijão como uma "causa social por ser muito cultivado na agricultura familiar".

O valor nutricional é um dos ganhos dos pulses. As mudanças de hábitos são uma das apostas para aumentar a adesão populacional. " É um confort food. Um alimento que traz conforto e saciedade, uma comida de verdade e que se usada de forma adequada, combate à obesidade".

A Embrapa afirma que o maior produtor mundial é a Índia, responsável por cerca de 25% da produção mundial de pulses, mas é um mercado dependente de importações para complementar a produção interna. Com a economia indiana em expansão a demanda de pulses para 2050 deve ser em torno de 39 milhões de toneladas.

O grão-de-bico movimenta em torno de US$ 2 bilhões no mundo, conforme a Confederação Global dos Pulses (GPC, sigla em inglês), nos Emirados Árabes Unidos, que está associada a membros da cadeia produtiva em mais de 20 países, inclusive o Brasil. O desenvolvimento dessa cultura no Brasil poderá abrir um mercado milionário às exportações brasileiras, atender a demanda interna e colocar o país num lugar de protagonismo na produção e comércio mundial de pulses.

 

 

Texto: Embrapa

Imagem: Google

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