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Postado em 01 de Julho às 20h32

Santa Catarina: Estado de cooperação

Opinião (33)

O Dia Internacional do Cooperativismo é comemorado há 98 anos em todos os continentes no primeiro sábado do mês de julho. Por outro lado, no Brasil surgiu há 11 anos o Dia de Cooperar ou Dia C – um movimento nacional de estímulo às iniciativas voluntárias diferenciadas, contínuas e transformadoras realizadas pelas cooperativas durante todo o ano. O Dia C e o Dia Internacional do Cooperativismo são festejados na mesma data.

As conquistas e os avanços proporcionados pelo cooperativismo são realçados no transcurso do Dia Internacional do Cooperativismo e do Dia C. Essa data permite reconhecer que a cooperativa é a organização humana com a melhor cultura e a maior inclinação para processar, absorver e aprimorar em benefício social as mudanças e as transformações dos novos tempos.

As cooperativas são organizações humanas inspiradas em princípios da conjugação de esforços com objetivos econômicos. Os sete princípios cooperativos, linhas orientadoras através das quais as cooperativas levam os seus valores à prática, expressam com altissonância sua natureza: adesão voluntária e livre, gestão democrática, participação econômica dos membros, autonomia e independência, educação/formação/informação, intercooperação e interesse pela comunidade.

Na verdade, Santa Catarina tornou-se paradigma nacional de eficiência e de cooperativismo. É a unidade da Federação brasileira com maior taxa de adesão ao cooperativismo. A vocação para a inovação e o empreendedorismo são as qualidades mais proeminentes do cooperativismo catarinense, ao lado da observância dos princípios universais do cooperativismo. As cooperativas foram pioneiras no desbravamento das regiões, na instalação de centros de produção e na transferência de tecnologia.

O cooperativismo catarinense tem tido a habilidade necessária para enfrentar as crises e manter a sustentabilidade dos negócios e a viabilidade dos diversos ecossistemas, clusters e cadeias produtivas. As cooperativas catarinenses cresceram 13,71% em 2019 (12 vezes mais que a economia brasileira) e obtiveram receita operacional bruta de 40,7 bilhões de reais. As 254 cooperativas catarinenses reúnem mais de 2,7 milhões de associados. A profissionalização dos quadros diretivos das cooperativas mediante frequentes investimentos do Sescoop, o emprego de modernos recursos gerenciais e a adoção de uma visão empresarial foram decisivos para o êxito das cooperativas. É previsível que, de modo crescente, as sociedades modernas adotarão o cooperativismo como modelo de organização econômica e social.

Neste ano, as cooperativas foram desafiadas para uma nova realidade. A pandemia causada pelo novo coronavírus está provocando mudanças e transformações na forma de organização do trabalho, nas estruturas de produção econômica e no próprio tecido social em todos os países. Inevitável, portanto, que atinja as cooperativas brasileiras, essas sociedades humanas relativamente complexas que contribuem para dinamizar a economia e elevar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das comunidades.

Todos os ramos do cooperativismo estão inovando não apenas para sobreviver à crise da pandemia, mas para continuar oferecendo soluções e serviços de qualidade aos milhões de catarinenses cooperativistas. Todos os setores do cooperativismo reagiram aos desafios impostos pela pandemia, especialmente as cooperativas dos ramos agropecuário, crédito, consumo, infraestrutura, saúde e transporte, que detêm o maior número de associados. As ações reforçam o sétimo princípio do cooperativismo: interesse pela comunidade.

Cooperativas do ramo saúde, por exemplo, estão disponibilizando programas de teleassistência, estruturando ambulatório para triagem qualificada de casos de coronavírus e realizando acompanhamento médico de casos leves. Além disso, cancelaram eventos e anteciparam a vacinação da gripe e desenvolveram planos de ação emergencial para atendimentos remotos e domiciliares.

Entre as inovações que surgiram em cooperativas de praticamente todos os ramos estão plataformas para conectar os negócios locais. Na pandemia, enfim, as cooperativas estão reagindo e oferecendo uma contribuição que só o altruísmo e o trabalho podem sustentar.

 

Por Luiz Vicente Suzin, presidente da OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) e do SESCOOP/SC (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Santa Catarina)

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