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Postado em 23 de Março às 20h22

Segurança no campo

+ Agro (122)

José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC).

 

A violência e os crimes contra o patrimônio deixaram há muito tempo de ser uma exclusividade dos centros urbanos e se instalaram no meio rural. O sucesso do agronegócio e o avanço da agricultura e da pecuária – setores que nos últimos anos se tornaram locomotivas da economia brasileira – passaram a atrair a atenção de criminosos de todos os matizes.

A FAESC vem se ocupando dessa questão há vários anos, defendendo iniciativas para garantir segurança e tranquilidade às famílias rurais na prevenção e combate à criminalidade no campo. Por isso apoiou, em 2017, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na criação, por meio do Instituto CNA, do Observatório da Criminalidade no Campo com o objetivo de oferecer aos produtores e trabalhadores rurais um espaço para relatos sobre a ocorrência de atos criminosos em suas propriedades.

A crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus e as mazelas sociais agudizadas pela crise econômica surgem como pano de fundo de uma nova onda de criminalidade no campo. Os agentes do crime estão perpetrando uma crescente onda de violência contra a população rural. O furto de máquinas, equipamentos, veículos e, sobretudo, animais já é parte do cotidiano da população da zona rural e isso tem provocado uma mudança nos hábitos e costumes dos moradores do interior de Santa Catarina.

A frequêcia e intensidade do abigeato (furto de animais) provocam pesadas perdas. A ousadia dos meliantes é tal que abatem os animais no próprio local, retiram as partes nobres e abandonam a carcaça. Recentemente, os ladrões utilizaram dois caminhões para furtar 50 cabeças de gado de uma fazenda no interior do município catarinense de Santa Cecília, causando prejuizos de meio milhão de reais ao pecuarista. Hodiernamente, porém, os crimes não se relacionam somente ao patrimônio, mas somam-se também os estupros, latrocínios, assaltos, sequestros, roubos de veículos etc.

Nessa nova realidade, os itens de segurança que são comuns na área urbana, passaram a fazer parte do cenário das propriedades rurais. Alarmes, câmeras, cercas elétricas, entre outros itens dividem o espaço com equipamentos agrícolas em sítios, chácaras e fazendas.

Em face dessa situação, a FAESC pede desde 2017 ao Governo do Estado a criação de um programa emergencial de segurança. Uma das medidas desejadas é a criação de uma Delegacia Central especializada em crimes nas zonas rurais. Outra reivindicação é conferir à Polícia Ambiental a missão adicional de reprimir a criminalidade e investigar bandidos e organizações criminosas que agem nas áreas rurais. A Polícia Ambiental, braço da Polícia Militar, mantém equipes volantes que percorrem as regiões agrícolas para combater crimes ambientais com excelente estrutura, equipamento e armamento. Esses mesmos agentes poderiam desenvolver ações de inteligência policial e repressão aos demais crimes com grande resultado para a paz social no campo.

Infelizmente, os produtores padecem de um sistema de segurança frágil que os faz sofrerem nas mãos de quadrilhas especializadas. Esse problema está anulando uma série de conquistas que levaram conforto e tranquilidade para a sociedade rural, como a eletrificação rural, o desenvolvimento das pequenas cidades do interior, construção de estradas, educação e saúde, comunicação e instalação de indústrias na zona rural, a tecnologia, além dos programas sociais dos governos estaduais e federal que contribuíram para a fixação do homem no campo e a diminuição dos movimentos migratórios.

Algumas iniciativas da sociedade civil precisam ser apoiadas, como a da Sociedade Amigos de Chapecó (SAC) que criou o GPS rural, permitindo à Polícia localizar e chegar em qualquer propriedade rural do município com rapidez. Em passado recente, a FAESC propôs uma parceria com o Governo do Estado de Santa Catarina, visando a elaboração de uma cartilha de segurança voltada para áreas e atividades rurais, baseada em estatísticas, em entrevistas com detentos e nas observações realizadas nas propriedades rurais.

Recentemente, o secretário estadual da Agricultura, deputado Altair Silva, propôs um programa de internet para o campo. Essa medida será muito bem-vinda porque permitirá o uso de recursos tecnológicos ancorados na internet a serviço da proteção das famílias rurais.

Segurança pública é fator essencial para a qualidade de vida. O campo merece.

 

Texto e imagem: MB Comunicação Empresarial

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