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Postado em 07 de Abril às 22h45

Contaminação microbiológica em fábricas de ração de aves: como controlar?

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A aplicação de controles eficientes e um programa de Boas Práticas de Fabricação (BPF) são fundamentais nas fábricas de ração

O mercado da avicultura no Brasil está inserido em um panorama econômico mundial bastante positivo. O país é considerado um grande polo produtor, em virtude das condições de área, situação climática favorável, mão de obra disponível, programas de biosseguridade, além da disponibilidade de alimentação a ser fornecida aos animais.

Para que as aves consigam alcançar todo seu desempenho genético, outras características como as exigências nutricionais nas diferentes fases da vida das aves e a qualidade da ração fornecida devem ser conhecidas. Estes fatores devem ser considerados para obtenção da melhor produtividade durante o ciclo completo da avicultura e é importante que produtor esteja consciente das suas influências, para obter a melhor produtividade destes animais.

Para as aves alcançarem todo seu desempenho genético é preciso oferecer uma ração de qualidade que atenda às suas exigências nutricionais

A alimentação das aves está diretamente relacionada com a qualidade da ração, por isso é necessário estar atento para o controle de microrganismos que podem impactar negativamente na saúde e no desenvolvimento das aves. As principais razões para este controle são a produtividade e sanidade das aves, a regulamentação de segurança dos alimentos e as exigências do mercado consumidor. Confira a seguir como a contaminação pode impactar nas rações e quais as práticas que contribuem para um controle microbiológico eficiente.

Origem dos microrganismos nas rações
Em uma fábrica de ração, a aplicação de controles eficientes e um programa de Boas Práticas de Fabricação (BPF) tornam-se fundamentais, uma vez que as Enterobactérias e mais precisamente as bactérias do gênero Salmonella são os maiores desafios no controle microbiológico.

As principais fontes de contaminação nas rações são os ingredientes, tanto os de origem animal, como farinha de carne e ossos e farinha de vísceras, quanto os de origem vegetal, como os farelos vegetais e cereais.

No caso dos ingredientes de origem animal, a própria matéria-prima apresenta alto risco de contaminação, além de fornecer as condições ideais para o desenvolvimento dos microrganismos, caso seja processada de forma inadequada. Já os ingredientes vegetais e cereais podem entrar em contato direto com desafios ambientais e contaminações durante o plantio, colheita, armazenamento e transporte. Por vezes, as fábricas de rações podem encontrar dificuldade no controle das contaminações, em função de alguns pontos:

  • Grande parte das estruturas e equipamentos não é projetada para uma higienização eficiente, muitas vezes com locais e equipamentos de difícil acesso;
  • Em diversos pontos e equipamentos é comum o acúmulo de pó e presença de umidade;
  • Alguns sistemas de transporte dos equipamentos apresentam risco de recontaminação com resíduos de linha;
  • Falta de um tratamento químico das matérias-primas com produtos antissalmonela no momento do seu recebimento ou armazenagem;
  • O isolamento da fábrica não é efetivo, dificultando ou tornando ineficiente o controle de acesso e fluxo de pessoas e materiais;
  • Ineficiência de um controle de pragas como roedores, insetos, pombos;
  • Falta de separação entre local de risco e local controlado na área produtiva;
  • Ausência de barreira sanitária para lavagem de mãos e calçados.

A dificuldade no controle das contaminações microbiológicas pode ser grande, principalmente as ocasionadas por bactérias do gênero Salmonella. Isto ocorre porque a bactéria é bastante resistente e possui rápido desenvolvimento e adaptação em ambientes secos, como poeiras, e locais de difícil acesso, como equipamentos e as estruturas da fábrica.

Impacto da contaminação microbiológica nas rações
Se a ração fornecida às aves estiver contaminada, poderá impactar negativamente em diversos pontos da cadeia produtiva animal, como por exemplo:

  • Biosseguridade animal – porque aumenta a possibilidade da entrada e disseminação de doenças infecciosas em plantéis e granjas, provenientes de bactérias, fungos ou outros agentes patológicos.
  • Produtividade animal – dentre os mais variados sintomas, os agentes patológicos podem causar nas aves:

-Irritação e fragilidade no trato gastrointestinal (TGI)
-Má digestão e absorção dos nutrientes
-Prejuízos na taxa de crescimento
-Desuniformidade dos lotes
-Aumento na suscetibilidade de infecções secundárias por vírus e coccídeas
-Acréscimo na taxa de mortalidade dos lotes

  • Segurança dos alimentos – se houver alguma falha de processamento, a contaminação microbiológica pode chegar ao produto final e oferecer risco, comprometendo a saúde do consumidor.

Controle de contaminações microbiológicas nas rações
Na fábrica, algumas estratégias podem ser traçadas para que se tenha a redução ou a eliminação dos microrganismos patogênicos nas rações. Dentre elas é possível destacar:

  1. Boas Práticas de Fabricação (BPF): a realização dos princípios básicos propostos pelas BPF é considerada como o ponto de partida para o controle microbiológico dentro de uma fábrica de rações.
  2. Controle de recebimento de matérias-primas: além da homologação e qualificação de fornecedores, realizar o monitoramento da qualidade microbiológica e químico-físico das matérias-primas que entram na fábrica é de fundamental importância para o controle do processo. Além disso, o monitoramento da higienização do caminhão que transporta as matérias-primas até a fábrica também é indispensável.
  3. Separação das áreas: é de fundamental importância a separação entre área de risco e área controlada. Assim, é possível ter um melhor controle de circulação e acesso de pessoas, diminuindo o risco de contaminação cruzada e comprometimento da qualidade da ração final.
  4. Tratamento térmico: o tratamento térmico realizado através da peletização, expansão ou extrusão tem sido apontado como a principal ferramenta para reduzir a incidência de fungos e bactérias em rações, incluindo as do gênero Salmonella. Porém, a eficiência deste tratamento depende de outros fatores como tempo, temperatura e a umidade da ração. Além disso, a qualidade do vapor, as diferenças de formulação e de umidade dos ingredientes também devem ser levadas em consideração ao se utilizar este tratamento.
  5. Tratamento químico: o tratamento químico é realizado através da aplicação de produtos com efeito antissalmonela na ração. A forma de apresentação do produto (líquido ou pó) e também a composição do produto químico utilizado (formaldeído ou ácidos orgânicos) podem ter influência sobre a eficiência antimicrobiana do mesmo. Além disso, o local de aplicação do produto como matérias-primas, pré-moagem, pós-moagem, misturador ou pós peletização também pode interferir diretamente no efeito do tratamento químico realizado. Para as fábricas que produzem apenas ração farelada, o uso do tratamento químico é indicado e possui grande eficiência. Já as fábricas que produzem ração peletizada, podem utilizar a associação dos dois tratamentos: térmico e químico, com excelentes resultados de controle.
  6. Plano de amostragem e análises: a realização de coletas pode determinar a realidade do status sanitário em que a fábrica se encontra. As análises microbiológicas periódicas dos ambientes, utensílios, equipamentos, matérias-primas, ingredientes e manipuladores permitem um melhor direcionamento para o planejamento de medidas corretivas, e posteriormente, medidas preventivas a serem adotadas na fábrica. Além disso, é importante dar total atenção aos resultados obtidos, averiguando se não podem ter falsos positivos ou falsos negativos. Por isso, é importante ter cuidado com a manipulação durante a coleta e verificar os pontos de coleta e programa de amostragem.

Elos para o controle microbiológico em fábricas de rações

Ações de prevenção e controle são necessárias durante todo o ciclo de produção, para evitar a presença patógenos nas rações e no ambiente da fábrica. Porém, vale lembrar que as diferentes estratégias de controle são sempre complementares umas às outras, ou seja, nenhuma delas é considerada totalmente eficiente, se aplicada isoladamente.

O programa de Boas Práticas de Fabricação deve estabelecer o correto impedimento ao desenvolvimento de patógenos através da combinação de medidas e controles higiênicos, sanitários e operacionais, contribuindo assim para a produção de uma ração segura e de boa qualidade.

Além das Boas Práticas de Fabricação a alimentação das aves também está diretamente relacionada com a qualidade física da ração peletizada. Confira neste artigo como é possível melhorar a as características do pellet.

Saiba mais acessando: www.btaaditivos.com.br

Autora: Daiane Signore Ribeiro - Formada em Medicina Veterinária pela UNOESC e pós-graduada em Tecnologia da Produção de Ração Animal pela UNOESC. Atua como Consultora Técnica na BTA Aditivos.

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