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Postado em 23 de Novembro de 2018 às 16h48

Equipamento de ordenha

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Por Marcella Z. Troncarelli
Médica Veterinária - DVM, PhD.
Pós-doutora em Medicina Veterinária Preventiva pela FMVZ UNESP Botucatu-SP 
Atuação: Docente do Curso de Medicina Veterinária no Instituto Federal Catarinense Campus Concórdia, Coordenadora do Grupo de Estudos Pro Latte
 
O elevado impacto econômico das mastites reforça a necessidade da realização de rigorosas medidas de profilaxia e controle nos rebanhos leiteiros. Além de aspectos relacionados à sanidade animal e à obtenção higiênica do leite, torna-se imprescindível monitorar periodicamente a qualidade funcional dos equipamentos de ordenha. No entanto, apesar de sua importância, muitas vezes esta atividade é negligenciada nas realidades produtivas.
 
Os equipamentos de ordenha devem extrair a maior quantidade de leite presente no úbere, no menor espaço de tempo possível, sem causar desconforto aos animais, nem prejudicar a saúde da glândula mamária. Para tanto, os mesmos devem ser adequadamente dimensionados em relação ao tipo de rebanho/sistema de produção, e receber manutenção preventiva periódica.
 
O sistema de ordenha é composto por mecanismos voltados à produção e controle de vácuo; pulsação e transporte do leite.
 
Vácuo
A bomba de vácuo é considerada um dos principais componentes do equipamento de ordenha. Tem como função extrair o ar que entra no sistema, eliminando-o por sistema de escape. A produção do vácuo é obtida pelo funcionamento desta bomba, e sua vazão refere-se ao volume de vácuo produzido por unidade de tempo, ou seja quantos litros de ar/minuto a bomba é capaz de retirar do sistema a fim de produzir o vácuo.
 
O nível de vácuo é caracterizado pela intensidade do mesmo. Consiste na diferença entre a pressão existente dentro do sistema de ordenha e a pressão atmosférica. O nível de vácuo é medido pelo vacuômetro, em unidades como mmHg e kPa. Cada sistema de ordenha apresenta um nível adequado para seu funcionamento, conforme apresentado no quadro.
 
 Níveis de vácuo aceitáveis, de acordo com o sistema de ordenha
 
Sistema de ordenha
Nível de vácuo (kPa)
Linha alta
48-50
Linha média
44-47
Balde ao pé
38-42

 

A reserva de vácuo é o volume de vácuo armazenado no sistema para suprir uma necessidade imediata, como durante a colocação, retirada e queda de teteiras durante a ordenha.
O controle de vácuo é tão importante quanto à geração adequada do mesmo. A manutenção do nível constante é feita pelo regulador. Sempre que houver entrada de ar por meio de outro componente do sistema, a válvula do regulador fecha-se para tentar manter o nível de vácuo constante.
 
Como forma de monitoramento, é importante aferir os níveis de vácuo em diversos pontos do sistema de ordenha, principalmente nos conjuntos, durante o pico de fluxo de leite das vacas. O vacuômetro identifica níveis anormais e flutuações no vácuo provenientes de vazamento de ar, presença de sujidades no regulador, e bomba de vácuo com correias frouxas.
 
Pulsação
O sistema de pulsação permite a execução das fases de massagem e extração de leite de um ciclo de ordenha, de forma similar à mamada do bezerro. O objetivo básico da pulsação é evitar a congestão e o edema devido à aplicação do vácuo na extremidade do teto.
 
Os pulsadores alternam vácuo e pressão na câmara de pulsação. Desta maneira, quando há vácuo na câmara, a teteira abre e ocorre a extração do leite e, quando há presença de ar, a teteira colapsa, massageando o teto. Recomenda-se que a relação massagem e extração permaneça entre 60:40 a 70:30. Quanto mais ampla esta relação, maior a velocidade de ordenha, no entanto, maior é o risco de ocorrerem lesões na extremidade dos tetos. 
 
Principais problemas relacionados à falta de manutenção adequada em equipamentos de ordenha
 
Desgaste
Teteiras desgastadas, que ultrapassaram sua vida útil, desenvolvem rachaduras nas quais ocorre acúmulo de bactérias patogênicas, causadoras de mastites e contaminantes de leite. Sendo assim, recomenda-se a troca de teteiras de borracha a cada 2.500 ordenhas, ou a cada seis meses, o que vencer primeiro. No caso das teteiras de silicone, indica-se a troca a cada 5.000 ordenhas. Ressalta-se, porém, que estas recomendações podem variar de acordo com as diferentes realidades produtivas, por isso sempre é importante consultar um técnico especializado.
 
Hiperqueratose de ponta de teto
A hiperqueratose da extremidade dos tetos é uma lesão tecidual que recobre a região do canal do teto e orifício externo. O grau de hiperqueratose pode estar diretamente relacionado à duração e manejo da ordenha, sendo decorrente do baixo fluxo de leite associado à elevada pressão de vácuo no início e/ou final da ordenha do animal. As lesões na ponta dos tetos podem aumentar em até sete vezes a ocorrência de mastites no rebanho. Para maior controle, a hiperqueratose pode ser classificada em escores de severidade. Se mais de 20% dos tetos apresentarem escore 3 ou 4, ou mais de 10% estiverem com escore 4, recomenda-se avaliar o funcionamento do equipamento e o manejo de ordenha.
 
Sobreordenha e ordenha incompleta
A sobreordenha é consequente à ordenha prolongada, com ausência de fluxo de leite. Pode ocorrer no início do processo, devido à inadequada estimulação dos tetos, ou após o término da ordenha, quando os conjuntos não são extraídos, apesar de não haver mais fluxo de leite. Em alguns casos, a simples redução do nível de vácuo no sistema pode aumentar o tempo total de ordenha e agravar o problema.
 
Já a ordenha incompleta pode ocorrer devido à baixa pressão de vácuo e/ou reduzida frequência de pulsação, o que determina maior volume de leite residual na glândula mamária, o que também pode predispor os animais à mastite.
 
Tamponamento do sistema e fluxo retrógrado
Flutuações bruscas no nível de vácuo durante a ordenha, ou inadequado dimensionamento das tubulações de transporte do leite em relação ao volume produzido podem resultar em fluxo reverso de ar e leite para a glândula mamária das vacas, e, consequentemente, determinando maior ocorrência de mastites. Estas flutuações de vácuo ocorrem devido à capacidade insuficiente da bomba e a problemas no regulador de vácuo.
 
Considerações finais
Considerando que o equipamento de ordenha é o coração pulsante da atividade leiteira, os produtores devem estar atentos à necessidade de avaliação preventiva periódica de todo o sistema. Esta atividade deve ser realizada por técnicos especializados, mas o custo-benefício é plenamente justificável. Com isso, contribui-se para melhorias ao processo de ordenha, à saúde dos rebanhos e à qualidade do leite em geral.
 
Créditos das fotos
César Machado/Agrostock
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