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Postado em 09 de Abril às 09h10

Explanação sobre interação da dieta e do estresse térmico encerra programação do 21º SBSA

Avicultura (42)

O bem-estar é fundamental no quesito produtividade. Para contribuir com esse assunto, o médico veterinário e professor Fernando Rutz debateu nesta quinta-feira (08), durante o 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), a interação entre dieta e estresse térmico e seus impactos fisiológicos e produtivos nas granjas de frango de corte. O tema encerrou a programação científica do evento.

Rutz explicou que o estresse térmico é o conjunto das alterações que ocorrem no organismo da ave na tentativa de reagir às condições ambientais como altas temperaturas, alta umidade do ar e excesso de radiação solar. “Fatores inerentes às próprias aves e exacerbados pela seleção genética tornaram estes animais ainda mais susceptíveis ao estresse por calor”, complementou.

O melhoramento genético no frango de corte propiciou uma alta capacidade de produção de carne, mas também ocasionou produção do alto calor endógeno. “A quantidade de calor gerada por um frango de corte é alta se considerarmos a capacidade que esse animal tem em dissipar o calor. O detalhe é que nos primeiros dias têm baixa eficiência de geração de calor. Temos então uma situação conflitante, ou seja, os frangos podem passar por estresse térmico em seus dois modos: o frio nas primeiras semanas de vida e calor nas últimas. Assim, entender as ferramentas para amenizar as condições nessas situações é essencial”, salientou o professor.

Sem o manejo adequado, as altas temperaturas podem comprometer a produtividade. Para evitar o estresse térmico das aves, os cuidados com a climatização dos aviários e com a nutrição dos frangos devem andar juntos. Isso contribuirá para prevenir doenças associadas com o estresse térmico. “Os ajustes de diversos fatores pode reduzir os impactos ou a incidência de síndromes ou de qualquer efeito que reduza a eficiência dos lotes”, acrescentou o palestrante.

O palestrante salientou que a nutrição pode contribuir para amenizar os impactos do estresse térmico, mas não eliminar completamente. Para isso, as condições ideais de bem-estar e ambiência são as melhores opções. “Nesse aspecto, a receita básica é reduzir o calor endógeno produzido, utilizando-se de técnicas e meios de rações mais eficientes, com maior disponibilidade, digestibilidade, suporte às enzimas digestivas, redução dos fatores antinutricionais e maior incremento da imunidade, menor estresse oxidativo, entre outros”, sublinhou.

Outro fator fundamental é a saúde intestinal. “A dependência de absorção de nutrientes é vital para a vida e influencia diretamente o frango de corte”, ponderou Rutz. A microbiota intestinal o microbioma também devem ser considerados. “Entre suas funções, estão as modificações do sistema nervoso, a quebra dos compostos não digeríveis, a resistência a patógenos, a proteção contra danos ao epitélio, a modulação e densidade dos ossos, a reserva de nutrientes como a gordura, a circulação sanguínea, a estimulação do sistema imune, a biossínteses de vitaminas e aminoácidos e o metabolismo geral”, explicou.

Para agir da melhor maneira na prevenção e controle do estresse térmico, é necessário ter controle amplo sobre a produção. “As possibilidades de automação da produção, dos dados gerados em diversos aspectos, possibilitam ao produtor a melhor tomada de decisão sobre o que fazer, quando fazer e quais métodos a serem utilizados”, considerou o palestrante. “ Em resumo, a nutrição pode influenciar muito a capacidade da ave em enfrentar condições adversas de estresse térmico, desde que sejam sempre considerados os aspectos inerentes à ave, à produção em si e ao mercado”, concluiu Rutz.

SOBRE O EVENTO

A programação científica do 21º SBSA foi subdividida em cinco módulos: futuro, mercado, abatedouro, sanidade e manejo. As palestras focalizaram assuntos de interesse do público de campo, produtores, técnicos, veterinários, gestores das agroindústrias, integrações e cooperativas, trazendo novidades e tendências do complexo mercado da avicultura.

Paralelamente ocorreu a 12ª Brasil Sul Poultry Fair e demais eventos paralelos. A feira virtual reuniu mais de 70 empresas nacionais e multinacionais. Foi um espaço onde as empresas geradoras de tecnologias apresentaram suas novidades e seus produtos que permitiram networking, bem como o aprimoramento técnico dos congressistas.

O 21º Simpósio Brasil Sul Avicultura teve apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc), da Prefeitura de Chapecó, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da Unochapecó.

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